EREH SUL

 “Era só mais uma dura, resquício de ditadura...”

Estamos nos encaminhando para o XV EREH-Sul (Encontro Regional dos Estudantes de História da Região Sul). Este evento é construído por estudantes de História que compõem a regional da Federação do Movimento Estudantil de História, a FEMEH, entidade máxima de nosso movimento estudantil de área. A FEMEH é formada por centros e diretórios acadêmicos dos cursos de História e visa construir as pautas e lutas do Movimento Estudantil dentro e fora da universidade, através de campanhas, conselhos de base, atividades e encontros.
O tema deste ano é “Tortura, Assassinato, Não Acabou 64!”, no qual será tratado a conjuntura atual: ebulição da inconformidade contra a retirada de direitos básicos, tais como moradia, saúde, educação e transporte, bem como a gritante desigualdade social e o desvelo dos preconceitos fundamentados no âmago da sociedade. Ebulição aumentada e potencializada pela realização dos megaeventos esportivos (Copa do Mundo da Fifa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016). Essa comunhão de interesses entre burguesia nacional, transnacionais e governos, expressas nos megaeventos esportivos, vem servindo de pretexto tanto para o aumento do aparelho repressor do Estado quanto para a abertura a projetos neoliberais de utilização do espaço público pela iniciativa privada. Consequência desses projetos são cidades que, na sua própria composição e (des)acesso ao transporte, promovem e aumentam a segregação social. Aparelho repressor que - no fim das contas - sempre é usado, pois Cláudias, Amarildos, Diegos e tantos outros jovens – pobres, negros e negras - morrem todos os dias nas periferias, através das ações de policiais militares e dos grupos de extermínios, seja por balas ditas perdidas ou pelos “autos de resistência”.
A repressão e o autoritarismo serão debatidos por meio da comparação das semelhanças e diferenças entre a ditadura civil-militar (1964-1985), a qual completou 50 anos em 2014, e a situação atual. Se há 50 anos o golpe civil-militar teve objetivo de frear a mobilização e a luta das esquerdas e da classe trabalhadora; atualmente o Estado e a burguesia – sob a bandeira da democracia - reprimem os movimentos sociais, utilizando métodos análogos aos da ditadura: perseguições políticas e prisões arbitrárias aos movimentos sociais e a classe trabalhadora, sejam nos protestos que culminaram nas Jornadas de Junho de 2013 e seguiram por 2014, sejam nas greves ou em outros movimentos legítimos de luta. Na ditadura vivíamos o terrorismo de Estado, o qual visava destruir física e mentalmente uma geração de lutadores. Hoje vivemos uma repressão permanente aos que ousam contestar a ordem vigente e aos que possuem esse potencial: a classe trabalhadora e os setores marginalizados da nossa sociedade. Se antes o inimigo interno era os “comunistas”, o “perigo vermelho”, hoje ele mudou de caracterização: são os pobres, negros, “vândalos” e manifestantes.
O interesse em discutir as temáticas surgiu, em parte, de nossa participação dos espaços de unidade como Blocos e Frentes Luta, onde nos propusemos a ajudar na construção de um movimento de resistência e de luta em um ano tão pontual quanto 2014: ano de Copa do Mundo e do cinquentenário da ditadura civil-militar.
Levando em consideração a importância das discussões que ocorrerão no XV EREH-Sul, chamamos todxs xs estudantes de História a participarem do encontro, o qual ocorrerá nos dias 25, 26 e 27 de Julho, no Colégio de Aplicação (CAP) da UFRGS.

Seguimos nas ruas e na luta! Hasta!
Comissão de Organização XV EREH Sul – 2014.
Centro de Estudantes de História – CHIST UFRGS

... mostrando a mentalidade de quem se sente autoridade nesse tribunal de rua”.

(O Rappa – Tribunal de Rua)